S√£o Jo√£o

A arte das chinelas de couro nas festividades juninas

A arte das chinelas de couro nas festividades juninas


DA REDAÇÃO COM ASCOM

No sert√£o nordestino, onde o sol brilha intensamente e o ch√£o √© quente, as chinelas de couro s√£o mais do que cal√ßados: s√£o s√≠mbolos de uma rica heran√ßa cultural, essenciais na vida cotidiana e nas celebra√ß√Ķes populares.

Utilizando os materiais dispon√≠veis na regi√£o, especialmente o couro, essas sand√°lias, tamb√©m conhecidas como alpercatas, tornaram-se parte integrante da vida cotidiana e das celebra√ß√Ķes populares, a exemplo das festividades juninas.

Elas se integraram ao forró pé de serra, proporcionando não apenas proteção contra o solo abrasador, mas também criando uma identidade sonora com o arrasto característico do couro contra o chão, levantando poeira e animando as festas. As chinelas de couro possuem uma história profunda e significativa no Nordeste.

Originalmente, esses cal√ßados foram desenvolvidos para proteger os p√©s dos vaqueiros e trabalhadores do campo, que enfrentavam longas jornadas sob o sol escaldante. Feitas √† m√£o por artes√£os locais, cada par de chinelas conta uma hist√≥ria de tradi√ß√£o e habilidade passada de gera√ß√£o em gera√ß√£o. E, s√£o uma das principais produ√ß√Ķes de artesanato procuradas pelos turistas nas exposi√ß√Ķes que s√£o realizadas durante o Maior S√£o Jo√£o do Mundo.

Elena Silva, 47, é uma dessas artesãs que mantém viva essa tradição. Ela possui um stand na Vila do Artesão em Campina Grande, onde vende as peças de couro que fabrica com seu marido há mais de 20 anos. As chinelas de couros são conhecidas por sua durabilidade e seu conforto durante as danças de forró.

Elena explica que o processo de fabrica√ß√£o de pe√ßas t√£o duradouras come√ßa com a escolha do couro: ‚ÄúPrimeiro √© a escolha do couro, depois vem o corte. Com o corte, a gente vai ver se o couro est√° bem male√°vel para poder fazer a montagem. Porque a√≠ tem que ter tamb√©m o couro bem molinho para n√£o machucar os p√©s.‚ÄĚ

chileno de couro s√£o jo√£o)

Foto: Jaine Glaser

As chinelas de couro representam mais do que um simples calçado, são um símbolo de resistência e identidade cultural. Além disso, a produção e venda dessas chinelas são uma importante fonte de renda para muitas famílias do Nordeste, mantendo viva uma arte que é ao mesmo tempo um modo de vida.

Nos √ļltimos anos, a valoriza√ß√£o do artesanato e do consumo consciente tem ampliado o mercado para as chinelas de couro, levando-as al√©m das fronteiras do Nordeste. Turistas e apreciadores de outras regi√Ķes reconhecem a qualidade e a hist√≥ria que cada par carrega.

Riudete Martins, psicóloga na cidade de Natal-RN, foi encontrada comprando uma chinela de couro na Vila do Artesão. Sobre sua escolha, ela comenta:

‚ÄúChinela de couro √© mais t√≠pica, dura muito mais do que qualquer cal√ßado. E para dan√ßar √© mais confort√°vel e cultural.‚ÄĚ Sua resposta destaca a durabilidade e o valor cultural das chinelas de couro, atraindo n√£o apenas os moradores locais, mas tamb√©m visitantes que buscam autenticidade.

As chinelas nas danças

Nas danças tradicionais como o forró, xaxado, baião e quadrilha, as chinelas de couro desempenham um papel crucial. Elas permitem que os dançarinos deslizem pelo chão de terra batida ou de madeira com facilidade, sem perder o contato com o solo. Além disso, a durabilidade do couro é essencial para resistir às longas horas de festa.

Odailton Lemos, frequentador ass√≠duo das festas de forr√≥, prefere as chinelas de couro dos sapatos tradicionais. ‚ÄúAl√©m de ser regional, o couro aqui da nossa terra, do nosso nordeste. A chinela de couro √© o s√≠mbolo do S√£o Jo√£o, √© usar a sand√°lia de couro para ficar mais confort√°vel e dan√ßar forr√≥‚ÄĚ, explica Odailton. A escolha dele reflete uma conex√£o profunda com as ra√≠zes culturais e a busca pelo conforto durante as longas noites de dan√ßa.

As chinelas de couro do Nordeste são um testemunho da criatividade e resiliência do povo nordestino. Elas resistem ao tempo e às mudanças, mantendo viva a essência de uma cultura rica e vibrante. Ao calçar um par de chinelas de couro, não se trata apenas de vestir um acessório, mas de carregar consigo um pedaço da história, o gingado do forró e da alma do Nordeste.

* Pablo √Člyton/Rep√≥rte Junino/Especial UFCG-UEPB.