Paraíba

MPPB aciona Justiça para exigir medidas urgentes de recuperação ambiental da Bacia do Rio Jaguaribe

MPPB aciona Justiça para exigir medidas urgentes de recuperação ambiental da Bacia do Rio Jaguaribe

PARAIBA.COM.BR

O Ministério Público da Paraíba ajuizou uma ação civil pública contra os municípios de João Pessoa e Cabedelo, além do Estado da Paraíba, da Superintendência de Administração do Meio Ambiente e da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba, solicitando à Justiça a concessão de medida liminar para obrigar os entes a adotarem ações emergenciais na Bacia do Rio Jaguaribe. Em caso de descumprimento, o órgão pede multa de R$ 10 mil por demandado.

A ação requer, entre outras medidas, a realização de fiscalização integrada, emergencial e documentada no prazo de 15 dias, abrangendo desde a foz do rio até a faixa costeira entre as praias do Bessa e Intermares. Também foi solicitado que os órgãos apresentem um plano preliminar de atuação interinstitucional, com definição de responsabilidades, medidas imediatas e cronograma de execução.

Degradação ambiental e impactos à população

O Ministério Público também pede a condenação dos réus ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, em valor a ser definido pela Justiça, devido ao dano ambiental continuado que afeta o rio, estuários e praias urbanas, com reflexos na saúde pública, balneabilidade e equilíbrio ecológico.

A ação foi proposta pelos promotores Edmilson Campos, de João Pessoa, e Francisco Bergson, de Cabedelo, junto à 2ª Vara de Fazenda Pública da Capital, como desdobramento de um inquérito civil que apurou um grave quadro de degradação ambiental no Rio Jaguaribe e em sua foz.

Problemas identificados

Durante a investigação, foram registrados diversos episódios de poluição, como presença de espuma com odor químico, água turva, mortandade de peixes, manchas escuras e escoamento de águas poluídas em direção ao mar, comprometendo a qualidade ambiental da região costeira.

Segundo o MPPB, relatórios técnicos — especialmente da Sudema — apontaram a existência de mais de 150 pontos de pressão antrópica, além de falhas estruturais como lançamento de esgoto, ocupações irregulares, deficiência de saneamento e descarte inadequado de resíduos.

Diante da continuidade do problema e da ausência de resposta eficaz por parte do poder público, o órgão decidiu recorrer ao Judiciário para exigir providências estruturais.

Medidas emergenciais e monitoramento

Entre as determinações solicitadas em caráter liminar, estão:

  • Implantação de sistema provisório de monitoramento da qualidade da água, com relatórios mensais;
  • Ações emergenciais de limpeza, remoção de resíduos e desobstrução de áreas críticas;
  • Proibição de novas ocupações irregulares e lançamentos clandestinos na bacia;
  • Apresentação de planos específicos por parte dos municípios e do Estado;
  • Fiscalização e responsabilização de fontes poluidoras;
  • Diagnóstico técnico da rede de esgotamento sanitário e correção de falhas operacionais.

Pedido de soluções definitivas

No mérito, o Ministério Público requer que os entes públicos sejam obrigados a implementar, de forma coordenada e permanente, ações de recuperação ambiental da bacia do Rio Jaguaribe, incluindo monitoramento contínuo, controle de poluição, drenagem urbana, recuperação dos estuários e fiscalização sistemática.

A ação também solicita o reconhecimento da responsabilidade civil dos demandados por omissão na proteção ambiental e a adoção de medidas administrativas para enfrentar ocupações irregulares em áreas sensíveis.

Segundo os promotores, a iniciativa tem como objetivo garantir a proteção do meio ambiente, da ordem urbanística, da saúde pública e da segurança da população, com base no artigo 225 da Constituição Federal e na legislação ambiental vigente.