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Quinze quilombos est√£o totalmente isolados pelas chuvas no RS

AGÊNCIA BRASIL

Todas as cerca de 6,8 mil famílias quilombolas do Rio Grande do Sul foram afetadas pelas chuvas e enchentes que assolam o estado. Das cerca de 170 comunidades formadas por remanescentes de escravizados no estado, quinze estão completamente isoladas. A esses quilombos só se chega de barco ou de helicóptero, segundo levantamento da Coordenação Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

O coordenador da organização na Região Sul, José Alex Borges Mendes, de 47 anos, contou nesta quinta-feira (16) à Agência Brasil que, em diversas comunidades, famílias perderam casas e estão alojadas em residências de parentes ou amigos. No caso das comunidades não totalmente isoladas, as estradas estão muito danificadas e o acesso é difícil.

‚Äú[Est√°] chovendo muito ainda. O rio sobe e baixa um pouquinho e sobe de novo. Todas as comunidades atingidas est√£o¬†isoladas por conta das barreiras do tr√Ęnsito. Todas elas est√£o enfrentando dificuldades por conta das pontes que ca√≠ram e das estradas. A √°gua terminou com tudo‚ÄĚ, lamentou a lideran√ßa quilombola.

Jos√© Alex √© do quilombo de Armada, no munic√≠pio Cangu√ßu (RS), onde vivem 60 fam√≠lias. Em todo o munic√≠pio, s√£o 16 comunidades que somam 600 fam√≠lias. Jos√© se preparava junto com a comitiva ga√ļcha de quilombolas para participar, nesta semana, da marcha Aquilombar 2024, realizada em Bras√≠lia.

Por√©m, com as chuvas, a comitiva ga√ļcha faltou ao evento na capital federal. ‚ÄúAcabou a gente n√£o querendo ir por conta disso, para ficar aqui na mobiliza√ß√£o e ajudando uns aos outros‚ÄĚ, destacou.

CHUVAS RS ‚Äď QUILOMBOS - Quinze quilombos est√£o totalmente isolados pelas chuvas no RS. - Canoas (RS), Quilombo Ch√°cara das Rosas.  Foto: FACRQ/CONAQ
CHUVAS RS ‚Äď QUILOMBOS - Quinze quilombos est√£o totalmente isolados pelas chuvas no RS. - Canoas (RS), Quilombo Ch√°cara das Rosas.  Foto: FACRQ/CONAQ

Comunidades quilombolas do RS enfrentam dificuldades para receber alimentos. Na foto, moradores do Quilombo Chácara das Rosas, em Canoas РFACRQ/CONAQ

A lideran√ßa disse ainda que o acesso √† luz, √† √°gua e aos alimentos est√° dif√≠cil, mas que t√™m chegado doa√ß√Ķes a essas regi√Ķes. ‚ÄúA energia, ela vai e volta, ela oscila. Um dia vai e volta dois dias depois. Por conta das estradas, est√° tudo muito dif√≠cil de chegar [alimentos e √°gua]. N√£o s√≥ aqui no munic√≠pio, mas tamb√©m nos outros 79 munic√≠pios que t√™m comunidades quilombolas no estado. Todos tamb√©m t√™m essa mesma dificuldade‚ÄĚ, contou.

José Alex disse que as comunidades quilombolas buscam ajudar umas às outras e que as famílias que perderam suas casas ainda estão abaladas.

‚Äú√Č bastante dif√≠cil porque voc√™ trabalha a vida toda para construir seu lar e, de uma hora para outra, voc√™ perder, √© muito dif√≠cil. A gente conversa pra imunizar a dor dessa fam√≠lia e tentar ajudar para ver se a pessoa fica firme porque sen√£o¬†a doen√ßa, sa√ļde psicol√≥gica e mental, ela ataca mesmo‚ÄĚ, completou.

Em nota divulgada no in√≠cio de maio, o Minist√©rio da Igualdade Racial (MIR) informou que monitora a situa√ß√£o das comunidades quilombolas, ciganas e de povos e comunidades tradicionais atingidos pelas chuvas.¬†‚ÄúA pasta tem articulado com outros minist√©rios e movimentos sociais o envio de cestas b√°sicas, e outros itens de primeira necessidade para as comunidades atingidas‚ÄĚ, afirmou.