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Rio ganha primeiro centro de referência de arte e cultura LGBTQIAPN+

AGÊNCIA BRASIL

O Rio de Janeiro ganha neste sábado (27) um centro cultural voltado para a produção artística LGBTQIAPN+. Trata-se da QueeRIOca, primeiro centro de referência de arte e cultura da comunidade no Brasil.

O projeto nasceu durante a pandemia da covid-19, idealizado pela atriz e fundadora da companhia de teatro Os dezequilibrados, Cristina Flores e sua esposa, a roteirista, escritora, compositora e atriz Laura Castro. 

Antes da pandemia, as duas tinham aberto um espaço chamado Jardim, no terraço da casa onde moravam. Mas com a pandemia, fechou.

Mas como as duas estavam muito conectadas com a comunidade LGBTQIAPN+ e, também, pensando como poderiam fazer arte e cultura e se conectar com as pessoas, começaram a desenvolver a QueeRIOca como algo que pudessem fazer ainda em casa, com segurança, como uma residência artística, para chamar alguns artistas para trocarem experiências em vídeos, podcasts e ao mesmo tempo receberem pessoas. 

O projeto chegou a ser inscrito no primeiro edital Foca РFomento à Cultura Carioca, da Prefeitura do Rio, e ficou em segundo lugar, o que não permitiu fomento para o seu desenvolvimento.

Com o final da pandemia, a prefeitura lan√ßou o Projeto Reviver Cultural Centro. ‚ÄúA√≠, a gente repensou a QueeRIOca para acontecer em um espa√ßo p√ļblico, no centro do Rio de Janeiro, em um casar√£o hist√≥rico, mas com o conceito de ser um espa√ßo aberto para produ√ß√£o de artistas LGBTQIAPN+, para resid√™ncias art√≠sticas e trocas nesse sentido‚ÄĚ, explicou Laura.¬†

A primeira mostra do espa√ßo de multilinguagens para exposi√ß√Ķes de artes pl√°sticas, denominada DiferENTRE, ser√° aberta neste s√°bado, √†s 12h, reunindo 32 artistas.

Zélia Duncan

O espa√ßo de m√ļsica homenagear√° a cantora, compositora e escritora Z√©lia Duncan, que se apresentar√° √†s 21h com Ana Costa, em uma roda de samba.¬†

O espa√ßo para teatro, com uma sala multiuso, haver√° tamb√©m exibi√ß√£o de filmes e a realiza√ß√£o de festas. O teatro ser√° inaugurado √†s 18h, com a pe√ßa de Z√©lia Duncan, Eu Vou, com a atriz Cristina Flores. √Č a primeira vez que a pe√ßa ser√° apresentada ao vivo. No cineclube, ser√° exibido o curta-metragem Uma paci√™ncia selvagem me trouxe at√© aqui, da diretora √ąrica Sarmet, no qual Z√©lia Duncan tamb√©m atua.¬†

A partir das 23h, acontecerá uma festa para celebrar a inauguração do espaço.

Outro espa√ßo importante, segundo destacou Laura Castro, √© a Livraria Pulsa, primeira especializada em autores LGBTQIAPN+, e n√£o somente em t√≠tulos ligados √† causa. ‚ÄúA Pulsa era uma livraria itinerante, que j√° ficou no Museu de Arte de S√£o Paulo (Masp), no Aterro do Flamengo e, agora, vai para um espa√ßo f√≠sico e fixo, aqui na QueeRIOca‚ÄĚ.¬†

A livraria será aberta às 16h, com sessão de autógrafos do livro de Zélia Duncan, Benditas coisas que eu não sei. 

A homenagem √† multiartista Z√©lia Duncan √© explicada por ela ser uma pessoa consciente de todas as lutas necess√°rias no Brasil, disse Laura. ‚ÄúAcho muito importante ela estar aqui, somando com a gente, neste s√°bado de abertura‚ÄĚ.

O espaço de 200 metros quadrados está instalado em um casarão colonial do século 19, na Travessa do Comércio, no histórico Arco do Teles, bem ao lado da Praça XV, no centro do Rio de Janeiro. A QueeRIOca pretende ser o mais novo ponto de encontro LGBTQIAPN+ da capital fluminense. Funcionará de quarta-feira a sexta-feira, das 16h à meia-noite; aos sábados, das 11h às 5h; e, aos domingos, das 14h à meia-noite. A capacidade é para 200 lugares.

O lan√ßamento do livro e o show s√£o gratuitos e abertos √† participa√ß√£o do p√ļblico. J√° o filme e a pe√ßa a ocupa√ß√£o ser√° por ordem de chegada, estando sujeitos √† lota√ß√£o, embora tamb√©m sejam franqueados ao p√ļblico. ‚ÄúTem uma distribui√ß√£o de senhas 1 hora antes‚ÄĚ, informou Laura Castro.¬†

Para participar da festa, foi estabelecido preço popular de R$ 20.