Campina Grande

Do suor ao forró: quem ergue a cenografia do Maior São João do Mundo

Do suor ao forró: quem ergue a cenografia do Maior São João do Mundo

CODECOM/PMCG

Antes da abertura da festa, equipes de diferentes regiões trabalham por semanas na montagem do Parque do Povo, que deve receber cerca de 3,5 milhões de visitantes ao longo de 33 dias de programação.

O som que toma conta do Parque do Povo, em Campina Grande, semanas antes do início d’O Maior São João do Mundo, ainda não é o do forró. No lugar do triângulo e da sanfona, são as ferramentas, os motores e as vozes de dezenas de trabalhadores que anunciam: a festa já começou — pelo menos nos bastidores.

É ainda em abril que o espaço começa a se transformar. Aos poucos, entre estruturas metálicas, tapumes, latas de tinta e milhares de bandeirinhas, surge o Quartel General do Forró. O que, em poucos dias, será cenário de música, dança e celebração, agora é um grande canteiro de obras, dividido em etapas e conduzido por trabalhadores divididos em equipes vindas de diferentes lugares do país.

Perto de um caminhão, enquanto painéis são descarregados com a ajuda de uma empilhadeira, Azuil de Castro acompanha cada movimento. Conhecido apenas como Castro, ele trabalha com eventos há três anos e participa pela terceira vez da montagem do São João de Campina Grande.

“É um trabalho de apoio. A gente ajuda no descarrego, no carregamento, na montagem, na desmontagem… vai fazendo de tudo um pouco. São estruturas metálicas, painéis, fechamentos, tapumes”, explica, enquanto observa a equipe em ação.

A rotina é intensa, mas também marcada pela convivência. Entre turnos longos e viagens, os trabalhadores constroem mais do que estruturas: criam vínculos. É o caso de Francisco de Assis, montador de estandes que saiu do Ceará para integrar a equipe. Em sua segunda participação no evento, ele não esconde o entusiasmo.

“Aqui é uma experiência única. A primeira vez que eu vim, mal cheguei em Fortaleza e já queria voltar. O pessoal daqui é muito acolhedor, igual a gente”, conta.
Se no chão o trabalho é pesado, no alto ele ganha leveza — e cor. São as bandeirinhas e balões que, em breve, vão cobrir o céu do Parque do Povo. A tarefa é liderada pelo cenógrafo José Sereco, que há quatro décadas participa da construção visual da festa.

Responsável por decorar espaços como o Parque do Povo, o Parque Evaldo Cruz e a Vila do Artesão, Sereco acompanha a evolução do São João desde 1986 — ano que, segundo ele, ficou marcado para sempre.
“No total, são 179 mil metros de bandeiras, além de balões e outros adereços. O trabalho começa logo depois do carnaval. É muita coisa — se fosse enfileirado, chegava até Patos”, diz.

Para dar conta dessa dimensão, a equipe se divide entre a produção, feita em galpão, e a montagem, já no parque. O resultado é um dos elementos mais emblemáticos da festa: o colorido que transforma o espaço e ajuda a criar a atmosfera junina.

Entre uma estrutura e outra, quem também acompanha de perto cada etapa são os bombeiros civis. Cabe a eles garantir que tudo aconteça com segurança, orientando o uso de equipamentos como capacetes, cintos e luvas.

Natural de Campina Grande, Jonatas Lourenço vive o evento por um ângulo especial. Há três anos na profissão, ele participa da festa desde que se formou — e carrega consigo a memória afetiva construída ao longo das gerações.

“Eu cresci ouvindo meus pais falarem do São João da época deles. Hoje, eles escutam de mim como é trabalhar aqui. A gente vê a magia se formando desde a montagem. Depois, quando começa, é emoção, alegria… é cultura viva”, relata.

Veterano na montagem, Nicolau Baldé também conhece bem essa transformação. Há 14 anos na Arte Produções, ele participa pela quarta vez da estruturação dos restaurantes, camarins e demais espaços do evento.

“A cada ano evoluimos e nos superamos. É cansativo, mas quando termina, é missão cumprida. Trabalhar com eventos da orgulho. No fim, dá um alívio, uma satisfação”, resume.

Quando junho chega e o forró finalmente toma conta do Parque do Povo, o público vê apenas o resultado: um espaço pronto para receber milhões de pessoas. Mas, por trás de cada bandeira hasteada e de cada estrutura montada, há histórias, esforço e um trabalho que começa muito antes da primeira música tocar.
É desse encontro entre suor de trabalhadores e celebração que nasce, ano após ano, o Maior São João do Mundo.

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