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Foz do Amazonas: Petrobras contesta pedido de estudo feito pelo Ibama

AGÊNCIA BRASIL

A Petrobras n√£o pretende atender ao pedido feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov√°veis (Ibama) no √Ęmbito do processo de licenciamento ambiental que avalia a perfura√ß√£o na foz do Amazonas. O √≥rg√£o ambiental cobrou an√°lises sobre os impactos para os povos ind√≠genas.

“A Petrobras n√£o vai fazer esses estudos nesse estado em que est√° o processo de licenciamento porque eles n√£o s√£o legais. Existe uma portaria que deixa claro em qual fase esse tipo de consulta √© adequada. Caso fa√ßamos a perfura√ß√£o e tenhamos uma descoberta, a√≠ sim caberia esse estudo no processo de licenciamento da atividade de produ√ß√£o”, afirmou nesta ter√ßa-feira (14) o diretor de Produ√ß√£o e Explora√ß√£o da Petrobras, Joelson Mendes.

A explora√ß√£o de petr√≥leo na foz do Amazonas desperta preocupa√ß√Ķes de grupos ambientalistas, que veem risco de impactos √† biodiversidade. Em maio do ano passado, o Ibama negou o pedido da Petrobras para realizar atividade de perfura√ß√£o mar√≠tima do bloco FZA-M-59. A Petrobras apresentou um pedido de reconsidera√ß√£o, ainda sem resposta. No m√™s passado, o Ibama considerou que a nova solicita√ß√£o n√£o pode ser analisada sem os estudos relativos ao impacto para os povos ind√≠genas.

Segundo Joelson Mendes, a posi√ß√£o da Petrobras j√° foi apresentada ao Minist√©rio P√ļblico do Amap√° (MPAP) e √† Funda√ß√£o Nacional dos Povos Ind√≠genas (Funai). “Esperamos que a Advocacia-Geral da Uni√£o tenha¬†uma interven√ß√£o junto ao Ibama porque esse pedido n√£o √© adequado neste momento do processo de licenciamento em que estamos”, acrescentou.

O tema foi abordado durante coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros da Petrobras no primeiro trimestre de 2024. Foi registrado um lucro l√≠quido de R$ 23,7 bilh√Ķes, uma queda de 37,9% na compara√ß√£o com o mesmo per√≠odo do ano anterior. Em rela√ß√£o ao quarto trimestre de 2023, o recuo foi de 23,7%. “O principal fator que impactou a redu√ß√£o do lucro l√≠quido foi a varia√ß√£o cambial. Tivemos em torno de R$ 11 bilh√Ķes de impacto, cerca de US$ 2 bilh√Ķes”, afirmou o diretor financeiro da Petrobras, S√©rgio Caetano Leite.

Ainda assim, ele fez boa avalia√ß√£o do resultado e comparou com o cen√°rio de tr√™s anos atr√°s. “No primeiro trimestre 2021, o lucro l√≠quido foi quase zero. Hoje estamos com um lucro l√≠quido em torno dos US$ 4,8 bilh√Ķes. O fluxo de caixa operacional √© de US$ 2 bilh√Ķes a mais do que aquele per√≠odo. Apesar do resultado deste trimestre n√£o ser que n√≥s gostar√≠amos que fosse, foi um resultado muito bom e bastante superior ao do primeiro trimestre 2021.”

Braskem

Em relação à venda da petroquímica Braskem, a Petrobras acompanha a situação e traça o perfil ideal do comprador. A estatal é acionista minoritária. O principal acionista, o Grupo Novonor, aguarda novas propostas para concluir o negócio.

“O cen√°rio desejado √© que apare√ßa um parceiro que coloque uma proposta firme. Esperamos um parceiro de dimens√£o, que seja do neg√≥cio petroqu√≠mico, do setor de petr√≥leo e g√°s. E que possa acompanhar a Petrobras em eventuais investimentos futuros para o crescimento da Braskem”, disse nesta ter√ßa-feira (14) o diretor financeiro da Petrobras, S√©rgio Caetano Leite,¬†durante a divulga√ß√£o dos¬†resultados financeiros da Petrobras.

O Grupo Novonor, antigo Grupo Odebrecht, possui 50,01% das a√ß√Ķes da Braskem com direito a voto. Em recupera√ß√£o judicial, ele aposta na venda da sua participa√ß√£o como movimento fundamental para reestruturar seus neg√≥cios. Embora j√° tenha recebido algumas propostas, nenhuma das tratativas evoluiu para um desfecho.

Respons√°vel por 47% do capital votante, a Petrobras tem prefer√™ncia na compra das a√ß√Ķes da Novonor. A companhia n√£o descarta a opera√ß√£o, mas s√≥ ir√° caminhar nesse sentido se avaliar que h√° risco de desvaloriza√ß√£o da Braskem. A expectativa √© contar com um parceiro que, assim como a Petrobras, tenha uma abrang√™ncia de mercado maior que o da petroqu√≠mica, para que juntos possam impulsionar o seu crescimento. Segundo Leite, existem grandes possibilidades para a internacionaliza√ß√£o da Braskem.

“Ela √© l√≠der em duas resinas de polietileno nos Estados Unidos. Tamb√©m tem uma posi√ß√£o invej√°vel na Alemanha, com duas plantas petroqu√≠micas no cora√ß√£o do pa√≠s. S√£o plantas voltadas para venda do eteno verde, para venda de resinas verdes, com potencial de valor agregado bastante interessante. No M√©xico, ela tem uma uma planta nova com um terminal tamb√©m novo voltado para o Atl√Ęntico que d√° muita flexibilidade log√≠stica para receber e enviar produtos. Permite √† companhia colocar produtos de forma r√°pida no mercado americano e no mercado europeu”, avaliou.

As origens da Braskem remontam √† d√©cada de 1970, com a explora√ß√£o das minas de sal-gema em Macei√≥ pela empresa Salgema Ind√ļstrias Qu√≠micas, que logo foi estatizada e mais tarde novamente privatizada. Em 1996, mudou de nome para Trikem e, em 2002, funde-se com outras empresas menores tornando-se finalmente Braskem. Posteriormente, expandiu suas atividades para o exterior chegando aos Estados Unidos, M√©xico e Alemanha.

Eventual comprador da fatia da Novonor precisará lidar com a tragédia em Maceió , que se arrasta desde 2018, quando os afundamentos em cinco bairros tiveram início. Estima-se que cerca de 60 mil residentes tiveram que se mudar do local e deixar para trás os seus imóveis. O agravamento da situação no final do ano passado levou a prefeitura da capital alagoana a decretar situação de emergência.

De acordo com Leite, geólogos e especialistas mobilizados pela Petrobras realizaram estudos sobre a situação e sobre as possibilidades de extensão da calamidade.